FENÔ∑GRUPOS tem a proposta de formar profissionais em condução e coordenação de grupos numa abordagem fenomenológica.

Pesquisa Acadêmica

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A área de Pesquisa Acadêmica atua focada no processo de produção de conhecimento, fundamentação da clínica e coordenação de grupos em Fenomenologia. Apoiada em pesquisas, publicações, promoção de cursos e grupos de discussão, atua em parceria com as outras áreas de Fenô & Grupos na elaboração de projetos conjuntos, visando a formação em Fenomenologia.
 

 Participações em Eventos Científicos 2012

    • 1. I Congresso Luso-Brasileiro de Práticas Clínicas Fenomenológico-Existenciais – Diálogos entre a Clínica e a Filosofia - UERJ
      Out/2012

      1.1 - Mesa Redonda
      Título: Psicoterapia de grupo

      A vivência na psicoterapia de grupo: uma pesquisa qualitativa fenomenológica
      Celana Cardoso Andrade (UFG/ITGT)

      A psicoterapia em grupo tornou uma realidade nos consultórios dos psicólogos. Frente a essa nova demanda tem-se discutido a respeito, tanto de sua importância enquanto um processo restaurador das relações de inter-humanas, intra-pessoais e transpessoais, quanto de seus benefícios sociais, econômicos e culturais. A força desse tipo de trabalho incide no fato do grupo psicoterapêutico: a) ser a síntese de uma realidade maior, na medida em que é considerado uma micro-representação social; b) trabalhar as relações no aqui-e-agora e; c) facilitar o face a face, onde a presença de uma pessoa altera a outra. O objetivo dessa apresentação é discutir a influência do contexto grupal nas mudanças vivenciadas pelo cliente. A compreensão dos resultados foi alcançada a partir de uma investigação qualitativa fenomenológica de relatos dos membros do grupo no fechamento do grupo. O grupo era composto por dez participantes, todas mulheres e psicólogas; coordenado por duas Gestaltterapeutas; com a frequência semanal; duração de duas horas; por um período de um ano. Na pesquisa observou-se que o grupo é um ambiente psicossocial potente que afeta profundamente os sentimentos, atitudes e os comportamentos das pessoas em tal sistema, e, convergentemente, é profundamente afetado pelos os sentimentos, atitudes e os comportamentos do indivíduo, neste sistema. Enfim, notou-se uma ressignificação de temáticas individuais na medida em que eram confirmadas em um contexto grupal.
      Palavras-chave: Grupo psicoterapêutico; vivência, força grupal; pesquisa qualitativa fenomenológica.
    • Cuidar de quem cuida: trabalho de grupo com agentes redutores de danos.
      Leonardo Toshiaki Borges Yoshimochi (Feno&Grupos)

      Este resumo tem o objetivo de apresentar o acompanhamento grupal de Agentes Redutores de Danos (ARD) como forma de exemplificar o fenômeno grupal em uma leitura e conduta fenomenológico existencial. O acompanhamento é realizado em encontros semanais, com o objetivo de auxiliar os ARD no enfrentamento das situações vivenciadas no campo de trabalho, na elaboração de estratégias de abordagens e na realização de encaminhamentos para rede pública de saúde. O Programa de Redução de Danos (PRD) está diretamente relacionado ao Programa Municipal DST/AIDS e Hepatites Virais e é voltado às pessoas que são consideradas grupos de riscos na população. O trabalho dos ARD consiste em caminhar “extramuros”, formar vínculos com as pessoas que se encontram em situações de riscos e fazer com que estas aproximem ou retornem aos serviços de saúde. Embora seja um cuidado voltado às pessoas de alto risco, a exposição destes trabalhadores no campo se localiza na fronteira do cuidado e do sofrimento, pois suas vivências solicitam uma aproximação reveladora do sofrimento humano encontrado. A fronteira, não por acaso, é um marco que separa aqueles que buscam pela saúde e aqueles que não mais a consideram como possibilidade de suas existências. Apesar desta separação, estes mundos se encontram diariamente. E lidar com o sofrimento alheio mobiliza estes trabalhadores. Ora os motivam, ora os desestimulam. O momento do grupo é um tempo em que eles encontram as diversidades das vivências enfrentadas e podem escutar seus pares nas diferentes reações e condutas assumidas.
      Palavras-chave: Grupos; Fenomenologia; Redução de Danos.
    • Comentários de Medard Boss sobre terapia de grupo: psicanálise e Daseinsanalyse de grupos
      Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista (UNIP-SP / LEFE-USP / Feno&Grupos)

      Em 1965 Medard Boss publica um livro baseado sobre suas viagens à Índia e à Indonésia na década anterior. Convidado na condição de professor visitante de medicina, entra em contato com ocidentalização da medicina indiana, o que lhe fornece dados para refletir sobre as limitações do pensamento ocidental para a compreensão do ser humano, assim como considerar a possibilidade de compreensão da psicopatologia a partir da “ontologia” milenar indiana. No relato de viagem, tece breves considerações sobre grupos de psicoterapia coordenados por psiquiatras indianos. Nesta comunicação, apresentamos uma tradução dos dois parágrafos sobre psicoterapia de grupo. Em seguida, apontamos os pressupostos que norteiam sua compreensão. Embora sua compreensão seja fundamentada na analítica existencial heideggeriana, Boss compreende os fenômenos grupais a partir da concepção psicanalítica de grupos. Identifica competição entre os membros, conflitos com a autoridade do líder e resistência. Essa interpretação está apoiada na concepção psicanalítica de nos grupos os membros disputam o afeto do analista; é a transferência. Boss busca na analítica existencial novas possibilidades de compreender a transferência como relação. Consideramos o sentido desses fenômenos encontrados por Boss nos grupos a partir da psicanálise e da daseinsanalyse. Seguimos a comunicação refletindo sobre a possibilidade de que a fenomenologia existencial amplie a compreensão dos fenômenos grupais para além da ‘transferência’ prevista pela psicanálise de grupos, o que indicaria um aprisionamento de Boss ao método psicanalítico.
      Palavras-chave: daseinsanalyse; terapia de grupo; Medard Boss
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       Participações em Eventos Científicos 2011



      1. IV Congresso Latino-Americano de Psicoterapia Existencial e enfoques afins
      Nov/2011

      1.1 - Mesa Redonda
      Título: Fundamentos e prática da psicoterapia em grupo fenomenológica

      Palestra: O conceito de mundo como fundamento da psicoterapia de grupo fenomenológica
      Luís Eduardo Franção Jardim (Fenô&Grupos/Unip/USP-Labi)

      Em meio ao cenário atual de hipervaloração do pensamento tecnológico e científico, em que prioriza-se a velocidade dos ganhos e efetividade em detrimento da permanência, as relações humanas sofrem a tendência ao distanciamento e impessoalidade. Diante da crescente desertificação do homem, a proposta de psicoterapia em grupo fenomenológica visa oferecer um espaço terapêutico de escuta, acolhimento e apropriação de si mesmo a partir das relações, isto é, por meio de um microcosmo entre os membros e terapeutas com suas peculiaridades próprias. No presente trabalho, objetivamos apresentar a ideia de mundo tal como na fenomenologia de Martin Heidegger, buscando relacionar seus constituintes às características de grupo, enquanto fundamento essencial para essa modalidade terapêutica. Para Heidegger, o mundo é a totalidade ontológica que é compreendida de maneira una no ser-com os outros, no ser junto aos entes e no ser si mesmo.
      Não há como pensar o Dasein destituído de mundo, tampouco mundo sem Dasein. Inserido em uma rede de significações compartilhadas, somos nosso próprio mundo, no qual nos relacionamos e conhecemos. Enquanto condição de possibilidade para as relações e para ser tocado pelo outro, mundo é fundamento primordial para psicoterapia de grupo. Somos constituídos a partir das relações com os outros e somente nas relações que acessamos nosso modo de ser. Em outras palavras, em grupo, abre-se a possiblidade de entrarmos em contato com nossas próprias referências de mundo, que determinam nosso existir e nossa compreensão de si mesmo.
      Nesta modalidade de atendimento, estabelece-se um mundo compartilhado terapêutico a partir de uma disposição à escuta de si mesmo e do outro. Em um microcosmo fundamentado em nossa própria existência compartilhada, temos a possibilidade de perceber o modo como abrimos mundo cotidianamente e, assim, conhecermos como nos afinamos e compreendemos a nós mesmos e as coisas com as quais deparamos. Ser-no-mundo significa habitar o mundo no qual desde o início já existo.
      Deste modo, pretendemos aqui esclarecer como se fundamenta esse habitar em um contexto terapêutico de grupo.
    • Palestra: Uma sessão de terapia de grupo em hospital psiquiátrico: o resgate da preocupação libertadora
      Paulo Evangelista (UNIP, Feno&Grupos)

      Esta comunicação tem o objetivo de relatar uma sessão de terapia de grupo conduzida com pacientes internados em um hospital psiquiátrico particular de São Paulo. A situação de internação em hospital psiquiátrico retira dos pacientes a responsabilidade por seu ter-que-ser, assumindo por eles seu ser-aí. Na condição de pacientes institucionalizados, tornam-se 'objeto' do tratamento psiquiátrico. Essa postura vai ao encontro da perda de autonomia presente nas formas de adoecimento psicológico, caracterizado pela perda da liberdade ontológica.
      O hospital psiquiátrico substitui o paciente no seu ter-que-ser, retirando dele seu 'cuidado', tal como descrito em Ser e Tempo como uma modalidade substitutiva da preocupação. Ao fazer isso, intensifica a compreensão de si do paciente, que já se determina a partir das categorias psicopatológicas que lhe que oferecem 'identidades' encobridoras da existência. A fenomenologia possibilita uma compreensão dos sentidos dos fenômenos clínicos mais próxima dos mesmos do que quando mediada por hipóteses explicativas. Isso ocorre nas sessões de psicoterapia de grupo, nas quais as questões humanas surgem a partir da interação entre os participantes.
      Nesta sessão, a postura fenomenológica possibilitou a tematização de situações e questões existenciais, que foram compreendidas como possibilidades humanas, ao invés de sintomas psiquiátricos. Essa postura reverte imediatamente nos modos de compreender-se e apresentar-se dos pacientes, que compartilham suas questões humanas cotidianas, ao invés dos seus quadros psiquiátricos. Na situação de grupo, os pacientes podem experimentar a possibilidade de empunhar a situação fáctica da internação, encoberta pela institucionalização.
      Na sessão que apresentamos, os pacientes abriram-se para poder cuidar dos outros e de si mesmos, inaugurando modos possíveis de ser-com que extrapolam a sessão de terapia. Deixam de ser objeto de tratamento e assumem a possibilidade da preocupação que se antepõe ao outro, devolvendo-lhe o cuidado, reconhecendo e escolhendo o zelo pelos demais como forma de cuidar de si.
    • Palestra: Terapia de grupo com religiosos em formação: um ensaio institucional sobre a alteridade
      Leonardo Toshiaki Borges Yoshimochi (Fenô & Grupos)

      O pensamento de Martin Heidegger é de fundamental importância para a Clínica Fenomenológica-Existencial na busca por um novo olhar para o homem, livre de pressupostos metafísicos.
      O objetivo do grupo é apresentar e esmiuçar as características dos existenciais do Dasein para aprofundar em como a Fenomenologia pode contribuir para a prática clínica. Coordenados por Luis Jardim, os encontros semanais serão pautados em leituras reflexivas de Ser e tempo e textos selecionados do filósofo, articulados com discussão de relatos clínicos.
    • Palestra: Psicoterapia daseinsanalítica de Medard Boss
      Paulo Evangelista (UNIP, Feno&Grupos)

      Medard Boss, psiquiatra suíço, iniciou sua vida profissional fundamentando-se na psicanálise freudiana. A partir da descoberta de Ser e Tempo, de Heidegger, assumiu para si a tarefa de fornecer bases teóricas mais correspondentes aos modos de ser humano para a compreensão dos fenômenos que encontrava nos processos psicoterapêuticos. Surge daí a daseinsanalyse como processo de relação entre terapeuta e paciente, com o objetivo de libertar o paciente das restrições que o aprisionam.
      Nos anos dos Seminários de Zollikon (1959–1969), Heidegger contribui pessoalmente para a estruturação desta ciência ôntica. Boss formula, assim, um modelo psicoterapêutico que, do ponto de vista prático, segue a tradição psicanalítica freudiana, mas diverge quanto à compreensão dos fenômenos clínicos. Esta comunicação tem o objetivo de apresentar sucintamente a história da Daseinsanalyse e indicar seus principais conceitos para compreender o processo psicoterapêutico e os fenômenos que surgem nesse contexto.